A Direção Geral da Saúde, mais especificamente pelo Plano Nacional de Saúde Ocupacional 2013-2017, defende que a Saúde Ocupacional visa garantir ambientes de trabalho saudáveis que evitem ou minimizem a exposição profissional a fatores de risco, suscetíveis de comprometer a saúde do trabalhador, assegurando uma elevada qualidade de vida no trabalho e permitindo alcançar elevados níveis de conforto, saúde e bem-estar físico, mental e social. Mas esta visão não se poderá alhear daquelas que são as problemáticas que interferem no estado de saúde dos atuais trabalhadores. Os emergentes contextos e condições laborais percussores da incidência de novos diagnósticos de saúde, os mais recentes modelos familiares pouco facilitadores daquele que era em tempos o apoio funcional tido por parte do núcleo sistémico familiar (eg. Famílias unipessoais, migradas, avós ainda ativos, …), o clima socioeconómico e politico de incerteza em que vivemos e, mais particularmente, o crescente envelhecimento verificado na população trabalhadora portuguesa; constituem algumas das tónicas a ter em linha de conta quando se preconiza promover a saúde em local de trabalho.
Relativamente ao envelhecimento, é nos trabalhadores que se encontram numa faixa etária mais avançada que se identificam os maiores índices de morbilidade (inevitavelmente associada à sua longevidade), o mais acrescido risco de ocorrência de determinados acidentes de trabalho e/ou doenças profissionais, a maior dificuldade de recuperação na ocorrência de lesão e/ou doença profissional ou, ainda, os quadros de exaustão emocional mais sintomáticos. Contudo, será importante salientar que este é o grupo de profissionais que faz toda a diferença quando se idealiza um plano de promoção da saúde em local de trabalho. A maior perícia na execução de determinadas tarefas, a mais vasta experiência em responder às exigências da concorrência e, a elevada mestria adquirida ao longo do tempo, transmite à geração de jovens trabalhadores mais valias no atual quadro de promoção profissional e de saúde laboral.
Cabe então a todos os protagonistas (entidades patronais, equipas de saúde ocupacional e trabalhadores), com a especial colaboração destes “mestres de experiência vivida”, efetuar uma criteriosa gestão dos seu recursos, estabelecer parcerias com instituições da rede comunitária (autarquias, IPSS’s, …) e científica (universidades, unidades de investigação, …) e, sobretudo, usar de muita CRIATIVIDADE no planeamento em saúde, no sentido de intervir de forma sustentada, cientifica e favorecedora daquele que se preconiza ser um envelhecimento saudável e ativo em contexto laboral.
Helena Maria Almeida Macedo Loureiro. Professor Adjunto na Universidade de Aveiro. Publicou 12 artigos em revistas especializadas e 18 trabalhos em actas de eventos, possui 5 capítulos de livros e 6 livros publicados. Possui 56 itens de produção técnica. Recebeu 2 prémios e/ou homenagens. Actua na área de Ciências da Saúde Nas suas actividades profissionais interagiu com 41 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos
